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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Hanukando- repensando Chanucá

Repensando
Profª Drª Jane Birmacher de Glasman


Chanucá destaca a atuação de duas heroínas: Hana, que negou-se a renunciar à sua religião, não cedendo nem mesmo quando seus 7 filhos foram mortos, um após o outro, e foi também morta e Judith, que conseguiu iludir o general inimigo Holofernes servindo-lhe panquecas de queijo e embriagando-o; cortou sua cabeça e entregou-a a seus compatriotas. Seu desaparecimento desmoralizou os soldados, que fugiram da cidade, livrando-a do cerco.

Chanucá simboliza a luta de poucos contra muitos, dos fracos contra os poderosos, a luta pela liberdade de culto - a eterna luta do povo judeu por sua existência.

Os Macabeus rejeitaram idéias pagãs que ameaçavam a continuidade do Judaísmo, porém incorporaram o que era compatível com valores judaicos.

Conseguiremos desenvolver uma identidade que nos permita conviver com o mundo exterior sem nos sentirmos ameaçados e, ao mesmo tempo, apreciar e assimilar o que há de bom em volta? Dependendo de como internalizamos os valores judaicos podemos interagir com o mundo como judeus e como cidadãos universais. No dizer do Rabino Sobel, a luta dos Macabeus ensina que "particularismo e universalismo não são mutuamente exclusivos. Não podemos e não devemos optar entre o gueto e a assimilação."

O professor Sami Goldstein escreveu sobre um lindo e inspirador aspecto simbólico: "A Chanukiá simboliza a humanidade. Cada vela representa o ser humano, uma vez que "a alma do homem é a vela de D'us" (Provérbios 20:27). O Shamash - a vela com a qual acendemos as demais - representa nosso desafio perante o mundo em que vivemos.

Em nosso cotidiano, freqüentemente nos deparamos com pessoas cujos "pavios" estão apagados. São aquelas que, por qualquer motivo, estão tristes, sozinhas, desamparadas ou abandonadas. A escuridão de suas vidas torna-se cada vez mais densa à medida que seus objetivos parecem-lhe mais e mais distantes ou até mesmo impossíveis. Pessoas estas que não precisam de muito; apenas de nossa atenção, carinho, amor e dedicação. Mesmo em meio à multidão, não conseguem ver sua chama brilhar; não são vistas.

Nossa missão é doar nosso brilho e fazer com que elas tenham calor humano correndo em suas veias. Compete-nos fazer com que se sintam amadas, respeitadas, valorizadas e especiais. Mas é importante notar que todas estão no mesmo nível. E, mais fundamental ainda: a Mitzvá só é cumprida em sua plenitude quando todas as velas são acesas em conjunto. Somente unidos- juntos e presos pelos mais resistentes elos da dedicação ao outro - poderemos garantir que Chanucá continue sendo motivo de orgulho por gerações.

Podemos ser velas, dissipando a escuridão. Um ilumina um canto; juntos, o mundo.

Lembremos ainda que Chanucá vem do mesmo radical hebraico de chinuch, que significa educação. E educação não se promove com grandiosos prédios, mas com valores e práticas.

Será que os judeus de hoje se posicionariam ao lado dos Macabeus? Será que você seria um Macabeu? Os gregos trouxeram civilização e progresso aos lugares que conquistavam, incluindo em seu panteão de deuses, os dos povos conquistados. Exigiam a aculturação, dentro do caldeirão da civilização e religião gregos. A comunidade Judaica estava dividida. Alguns acreditavam ser a assimilação positiva, uma influência modernizante. Um pequeno grupo se opôs e preparou-se para lutar e morrer para preservar o Judaísmo.

Não foi uma guerra por princípios abstratos de tolerância religiosa, mas uma batalha contra a assimilação, lutada por quem a Torá era sua vida e inspiração. Nós estaríamos com os Macabeus ou acharíamos que a assimilação era o caminho para o futuro? Vivemos uma crise de identidade como há 2.500 anos...

Muitas questões permanecem em aberto. Seriam os Macabeus somente baluartes da fé, guerrilheiros ou exacerbados nacionalistas? Ou uma combinação dos três?

E as heroínas, de atitudes extremistas? Pergunto-me, enquanto mãe, se seria capaz de assistir a morte de meus filhos, mesmo por Kidush haShem (fidelidade e santificação de D'us) ou se, como séculos mais tarde, na Península Ibérica, optaria por fugir ou por aceitar uma conversão aparente ? para santificar D'us em vida e não com a morte... E Judite? Não teria sido ela a maior estrategista, planejando e executando a liderança do exército inimigo?

Seria Chanucá uma sábia forma de absorver judaicamente festejos populares pagãos, determinando um novo sentido, envolvendo o povo, motivando-o ao invés de afastá-los do judaísmo de forma sectária? Ou uma batalha da eterna luta contra a assimilação? Ou uma reação contra os próprios judeus helenizados?

Qual o real milagre de Chanucá? A vitória militar? O óleo puro que durou oito dias? A participação decisiva das mulheres num mundo machista?

Ou estarmos agora, milênios depois, celebrando e repensando Chanucá e/ou termos sobrevivido como judeus através da História?

Felizmente não temos respostas definitivas! Espero que as luzes de Chanucá iluminem nossos corações e mentes na busca de respostas (e novos questionamentos!), que permaneçam ardendo e mantendo o fogo da fé que aquece corações, não a tocha do ódio ou fogueiras de vaidades, e que possam ajudar a romper as trevas dos tempos tenebrosos de terror que estamos vivendo, iluminando e eliminando a intolerância!

http://www.webjudaica.com.br/chaguim/textosFestaDetalhe.jsp?textoID=41&festaID=18

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