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terça-feira, 22 de março de 2011

Católicos e Israel: uma questão de valores

"Israel não é apenas o único país da região com um projeto democrático estável. É o país do Oriente Médio que mais se aproxima da visão católica sobre o que a política do século 21 deve ser."

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POR GEORGE WEIGEL
Membro Sênior do Centro de Políticas Públicas e Éticas de Washington, onde mantém a cátedra de Estudos do Catolicismo, e autor da biografia do Papa João Paulo II.

A Igreja Católica vem refletindo sobre a ética e as relações internacionais desde que Santo Agostinho escreveu “A Cidade de Deus”, no século 5. Já os fundamentos morais das sociedades modernas e liberais sofrem a influência católica desde que o Papa Leão XIII estabeleceu a doutrina social católica através da encíclica “Rerum Novarum”, em 1891. Portanto, as teorias contemporâneas de democracia e do entendimento clássico de ordem mundial devem inspirar os católicos de todo o mundo a se solidarizarem com o Estado de Israel, que enfrenta uma campanha global de deslegitimação.

Democracia
Os laços católicos com a democracia foram reforçados pelo saudoso Papa João Paulo II. Dadas as alternativas disponíveis no século 21, a Igreja prefere democracias porque as democracias baseiam-se na proteção constitucional dos direitos humanos e respeitam as instituições da sociedade civil, tais como família, associações, grupos econômicos e culturais e entidades religiosas. As democracias encarnam a superioridade do Estado de Direito sobre a coerção e abrem aos cidadãos a oportunidade de debater o bem comum, a participação no governo e, assim, cumprir com as suas responsabilidades cívicas. Somente os métodos democráticos de autogoverno possibilitam mudanças políticas pacíficas.
Nenhum dos 192 países membros da Organização das Nações Unidas encarna perfeitamente a concepção católica de democracia. No Oriente Médio, somente um país tem um projeto razoavelmente eficaz em torno dos valores políticos e morais em que se baseia a idéia católica de democracia. Esse país é o Estado de Israel.
Durante décadas, o Líbano se esforçou num projeto parecido, mas este foi destruído pela Síria e pelo Irã, em nome de uma compreensão muito diferente da política do que a aprovada pela doutrina social da Igreja Católica. O Iraque, esperamos, está se movendo na direção de uma democracia pluralista, mas este processo é ameaçado por ataques dos jihadistas contra os cristãos remanescentes.
Já Israel não é apenas o único país da região com um projeto democrático estável. É o país do Oriente Médio que mais se aproxima da visão católica sobre o que a política do século 21 deve ser. Ainda que imperfeita, é uma versão da sociedade virtuosa elogiada pelo Concílio Vaticano II e por João Paulo II e Bento XVI.
Em uma região marcada pela intolerância religiosa e étnica, Israel, um país constantemente ameaçado por seus vizinhos, tem feito grandes esforços para honrar os princípios da democracia pluralista. Os árabes israelenses – tanto muçulmanos quanto cristãos – têm direito a voto; o parlamento de Israel possui sua bancada árabe e um árabe cristão é juiz na Suprema Corte de Justiça. A vida para os cristãos árabes em Israel ainda não é a ideal, mas a vida cristã em Israel é muito melhor do que a vida cristã em Gaza ou sob a Autoridade Palestina. A perseguição estatal aos cristãos é comum no Egito, mas inexistente no Estado Judeu, onde a liberdade religiosa – que grande parte do mundo árabe e islâmico considera uma heresia – é legalmente garantida. Esta realidade (muitas vezes despercebida) explica um fato marcante: a população cristã de Israel tem crescido desde 1948, enquanto a população de cristãos nos demais países do Oriente Médio vem diminuindo.
Ordem Mundial
Ao longo do século 20, os bispos de Roma propuseram uma visão da ordem mundial alicerçada sobre o reconhecimento dos Direitos Humanos fundamentais. João Paulo II e Bento XVI transpuseram esta visão para o século 21, em que a Igreja muitas vezes parece ser a última crente na possibilidade de uma comunidade global regida pela ética.
A campanha para deslegitimar o Estado de Israel é um ataque direto sobre os princípios da ordem ética mundial. O Estado de Israel surgiu como resultado de um ato da Assembleia Geral da ONU. A sua destruição – via ataque nuclear do Irã, campanhas de pressão internacional ou através de mudanças demográficas – seria um duro golpe contra a visão de um mundo no qual a política e o Direito substituem a violência das massas.
Sozinho entre os seus vizinhos, Israel trocou terras por paz. Todos os partidos políticos relevantes em Israel aceitam a ideia de um Estado palestino. Já a maioria dos estados islâmicos se recusa a aceitar a simples existência de Israel, mesmo quando discretamente apoiam os esforços israelenses em conter o terrorismo jihadista e os clérigos apocalípticos de Teerã. É situação bizarra e, francamente, hipócrita.
Uma Questão de Valores
Uma visão católica de Israel não se baseia em leituras fundamentalistas da Bíblia, tampouco envolve uma visão romântica do Estado Judeu. Um compromisso católico com Israel não implica em lhes dar um cheque em branco, assim como o empenho dos católicos em defesa de Israel pode e deve coexistir com uma profunda preocupação para com os cristãos do Oriente Médio. A visão católica sobre Israel deve se basear em verdades sobre a Liberdade, a Razão e a Justiça – verdades cuja compreensão está ao alcance de todos os homens e mulheres de boa vontade. Ela também reflete um juízo prudente de que a destruição do único Estado do Oriente Médio que leva a sério a liberdade religiosa seria um golpe fatal para a causa da liberdade religiosa em todo o mundo.


(Fonte: http://www.friendsofisraelinitiative.org/article.php?c=78. Tradução: Victor Grinbaum.)

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