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quarta-feira, 9 de março de 2011

Newsletter Conib - 9-03-11

Conib destaca
Quarta-feira, 9 de Março de 2011
Por Celia Bensadon
Textos e manchetes da mídia nacional e estrangeira
Para informar nossos ativistas comunitários

1. 'Brasil começa a se redimir de ter apoiado ditadores', diz iraniana


"O Brasil está começando a se redimir do fato de ter apoiado tanto ditadores nos últimos anos". A declaração é da prêmio Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi, que nesta segunda-feira foi recepcionada com almoço pela diplomacia brasileira em Genebra, algo que ela mesmo diz que acreditava ser "impensável" durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao Estado, a dissidente que foi declarada como uma das maiores opositoras do regime Mahmoud Ahmadinejad, pediu que o Brasil não use nova retórica de direitos humanos apenas "como mais uma estratégia política" e que, desta vez, seja coerente com o estado democrático que representa. Shirin disse que o ex-presidente Lula decepcionou o povo iraniano quando visitou o país. “Ele (Lula) desembarcou em Teerã, apertou a mão de Ahmadinejad, comemorou vitória e deixou o povo nas mãos de um dos regimes mais brutais do mundo hoje. Portanto, acho que eu ser recebida pelo governo brasileiro é sim um grande passo e na direção certa” (Por Jamil Chade, O Estado de S.Paulo).

2. Relação entre os dois países dá sinais de abalo

O protesto do governo iraniano, em janeiro, contra as críticas da presidenta Dilma Reousseff à situação dos direitos humanos no Irã foi o primeiro sinal de mal-estar entre os governos dos dois países, após período de ótimas relações durante a Era Lula , que incluiu até visita ao líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O Brasil, que antes não condenava violações aos direitos humanos no Irã, mudou de posição. Dilma declarou que não concordava com o modo como o Brasil votou na ONU, ao abster-se de condenar às violações naquele país, e criticou abertamente a situação da iraniana Sakineh Ashtiani, punida com pena de apedrejamento por suposto adultério (O Estado de S.Paulo).

3. Ex-presidente do Irã é punido por apoiar a oposição


Em mais um sinal de isolamento, o regime iraniano obrigou o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani a abandonar a presidência da influente Assembleia de Especialistas - posto-chave da estrutura de poder do país - devido ao seu apoio à oposição. A medida foi tomada pouco após parentes dos líderes opositores, Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karoubi, denunciarem que os políticos estariam presos em local secreto a fim de impedir a coordenação de novas manifestações contra o governo. Usando bombas de gás lacrimogêneo, forças de segurança iranianas dispersaram mais um protesto em Teerã (O Globo). Leia mais em:
U.S. official: Iran near threshold of nuclear weapons capability

4. Candidato egípcio indica que manterá tratado de paz com Israel


O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, que quer concorrer à presidência do Egito, anunciou que vai manter o tratado de paz com Israel e prometeu combater a corrupção e fazer com que o país mais populoso do Oriente Médio se transforme numa democracia moderna. Moussa, que é um conhecido diplomata de carreira e já foi ministro de Relações Exteriores, anunciou no mês passado que planeja concorrer nas eleições presidenciais do Egito no final deste ano. O ex-presidente Hosni Mubarak foi forçado a deixar o cargo no dia 11 de fevereiro depois de 18 dias de protestos populares pedindo sua renúncia (Agência Estado). Leia mais em:
Presidential hopeful offers vision for 'new Egypt'

5. Gaddafi ameaça com revolta armada contra zona de exclusão aérea


O líder líbio, Muammar Gaddafi, advertiu que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como vários líderes rebeldes vêm pedindo. Em entrevista à TV turca TRT, Gaddafi disse que países ocidentais querem impor a zona de exclusão aérea para "tomar o petróleo líbio". "Se eles tomarem esta decisão, será útil para a Líbia, porque o povo verá a verdade, que o que eles querem é assumir o controle da Líbia e roubar seu petróleo". "Então o povo (líbio) pegará em armas contra eles", concluiu (BBC Brasil). Leia mais em:
Gadhafi: Libyan people will fight West if they enforce no-fly zone

6. Zona de exclusão aérea líbia deve ser decisão da ONU, diz Hillary


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse, em entrevista a uma emissora de TV, que qualquer imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia deve ter apoio internacional e não ser um esforço liderado pelos Estados Unidos. "Queremos ver a comunidade internacional apoiar isso", afirmou à Sky News quando questionada sobre o tema. "Acredito que é muito importante que isso não seja um esforço liderado pelos EUA porque isso vem do próprio povo da Líbia. Isso não veio de fora, de alguma potência ocidental ou de algum país do golfo dizendo que é o que deve ser feito” (Folha.com). Leia mais em:
Funcionários do governo dos EUA se reuniram com oposição líbia

7. Obama e Cameron articulam adoção de zona de exclusão aérea na Líbia


A proposta de adotar uma área de exclusão aérea na Líbia – por meio da qual o espaço aéreo passa a ser controlado por forças estrangeiras – ganha força a cada dia. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, conversaram, por telefone, sobre a iniciativa. Para os dois líderes, é fundamental incluir a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nas ações. As informações são atribuídas à Casa Branca. Com a zona de exclusão aérea na Líbia, o espaço aéreo do país, segundo as autoridades estrangeiras, passa a ser protegido de eventuais ataques ilegais a civis, por exemplo (Agência Brasil). Leia mais em:
Cresce apoio para impor zona de exclusão aérea sobre a Líbia

8. “As opções de Obama: intervir ou não na Líbia”


Para o presidente Barack Obama, que advertiu o coronel Muammar Gaddafi de que estava na hora de ele partir, a carnificina e o terror na Líbia que se observam agora o colocam diante de um dilema que, cedo ou tarde, todos os presidentes americanos da era moderna tiveram de enfrentar: se e como intervir com a força militar num conflito distante. Desta vez, a decisão é mais difícil em razão da história, da geografia e das circunstâncias peculiares da revolta na Líbia: um líder que todos sabem ser imprevisível e implacável, que fará tudo o que estiver ao seu alcance para se manter no poder; e um conflito que se assemelha tanto a uma guerra civil africana quanto a uma revolta de uma juventude motivada pela internet, como a que levou à renúncia de ditadores árabes no Egito e na Tunísia (Por Mark Lander, do The New York Times, em artigo em O Estado de S.Paulo). Leia mais em:
Libyan Closure

9. “Opções dos EUA para a crise líbia vão do ruim ao péssimo”

Com exceção de Muammar Gaddafi, nenhum líder no mundo está tão só hoje como Barack Obama. Criticado pela direita e pela esquerda e ante o risco de uma carnificina maior na Líbia, o americano confronta opções que vão do ruim ao péssimo. Sua demora em agir, no comando da maior potência militar do planeta, é pintada como sinal de fraqueza por seus críticos de sempre e de inexperiência por gente dentro do próprio partido. A tarefa, porém, não é simples e vai além de calcular uma eventual ação militar com uma guerra em curso no Afeganistão, outra ainda fumegando no Iraque e uma crise mal curada em casa (Por Luciana Coelho, Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Washington’s Options on Libya

10. “Começa a caçada aos US$ 70 bilhões dos Gaddafis”


Enquanto a batalha pela Líbia prossegue, a disputa pelo controle do fundo soberano e pelos ativos do país, no valor de US$ 70 bilhões, apenas começou. Com uma reserva considerável em dinheiro e participações em algumas empresas de elite da Europa, incluindo a editora Pearson e o clube de futebol italiano Juventus, o fundo soberano líbio - Lybian Investment Authority - serviu como cartão de visita importante para seu fundador, Saif al-Islam Gaddafi, filho do ditador líbio, que era considerado um reformista dentro da família (Por Landon Thomas Jr., do The New York Times, em artigo em O Estado de S.Paulo).

11. Gaddafi encurrala rebeldes e civis fogem

Em meio a informações desencontradas sobre uma negociação entre Muammar Gaddafi e a oposição, forças leais ao ditador líbio intensificaram ontem a pressão militar contra os rebeldes no oeste e no leste do país. A cidade portuária de Ras Lanuf, um estratégico polo petrolífero de onde os insurgentes não conseguem avançar desde sábado, sofreu quatro ataques aéreos, engrossando o êxodo de civis. Uma das bombas atingiu o duto de abastecimento de água da cidade, com prováveis consequências para a logística rebelde. Outras acertaram estradas e uma casa desocupada em Ras Lanuf (Por Marcelo Ninio, Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Forças de Gaddafi tentam sufocar rebeldes no oeste e leste da Líbia

12. Ocidente e Oriente caminham para equilíbrio armamentista

Os cortes nos orçamentos militares das potências ocidentais e o aumento da verba destinada à compra de armamentos por governos na Ásia, no Oriente Médio e na América Latina estão começando a redesenhar o equilíbrio mundial de poder. Essa é a conclusão do Balanço Militar Global 2011, o conceituado anuário do IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos), lançado ontem em Londres. Segundo o IISS, potências como os EUA e o Reino Unido estão sendo obrigadas a cortar gastos militares devido ao quadro mundial de estagnação econômica. Já outros governos têm reforçado suas casernas por conta de ameaças geopolíticas (representadas, por exemplo, pelo Irã) e também devido à crescente projeção de poder da China na Ásia (Folha de S.Paulo).

13. “Um cenário possível no Oriente Médio”

Estimativas mostram a probabilidade de que sejam instalados Estados islâmicos ou seculares nos países que atualmente enfrentam protestos no mundo árabe – se os governos atuais forem derrubados, como já aconteceu na Tunísia e no Egito. As chances de a transição política ocorrer de maneira violenta ou pacífica também foram analisadas com base em fatores políticos, sociais e institucionais de cada país (Veja).

14. Pesquisa diz que popularidade do Brasil subiu no último ano

A transição democrática de governo entre os presidentes Lula e Dilma - a primeira mulher a ocupar o cargo no Brasil - rendeu ao país o maior aumento de popularidade mundial em uma pesquisa que avaliou 16 nações e a União Europeia.
A média de opiniões positivas sobre o Brasil subiu de 40%, na pesquisa anterior, para 49% em levantamento feito entre 2010 e 2011 com 28 mil pessoas de 27 países. A pesquisa foi encomendada pela rede de TV britânica BBC e conduzida pelo instituto de pesquisas GlobeScan e pelo Programa de Atitudes em Política Internacional (Pipa, na sigla em inglês) da Universidade de Maryland (EUA) (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Informe dos EUA alerta sobre violência no Brasil

15. “Relações Brasil-EUA oscilam entre o diálogo e a indiferença”


O governo Dilma Rousseff inicia com declarações de boa vontade e promessas de amizade renovada entre Brasil e Estados Unidos. Às vésperas da visita do presidente americano, Barack Obama, ao país são marcadas pela divulgação dos interesses comuns na exploração do petróleo do pré-sal, na promoção de investimentos em terceiros países, no estímulo ao comércio bilateral e na cooperação em matéria de educação, cultura, ciência e tecnologia. Mas é preciso empenho verdadeiro dos dois governos para que os principais interesses dos dois países sejam atendidos nesse esforço de reaproximação. A relação entre Brasil e Estados Unidos, como bem definiu Mônica Hirst em estudo para a Fundação Getulio Vargas, oscilou nos últimos 200 anos entre o diálogo amistoso e a indiferença sutil. Nem o maniqueísmo e as alianças automáticas da Guerra Fria conseguiram garantir alinhamento incondicional entre os dois países, que viveram períodos de aproximação e distanciamento, algumas vezes carregados de atritos (Valor Econômico – Editorial).

16. “O fabuloso contador de histórias”

Conheci Moacyr Scliar e, 1989 ao editar “Um país chamado infância”, uma coletânea de delicadas crônicas que narravam as descobertas de seu filho, Roberto, e as dele próprio no papel de pai. Moacyr era um fabuloso contador de histórias, dom que surgiu na casa onde nasceu, em 1937, no bairro judaico do Bom Fim, em Porto Alegre. A obra de Scliar, que morreu no dia 27, é identificada com seu tempo. Mas poucos foram tão atentos às mudanças como ele (Por Sérgio Ludtke, Época).

Leia mais em:

Might Obama gamble on a new Netanyahu peace plan?

Peace in a volatile region

Egypt's security forces are weakened after decades as Mubarak's enforcer


Binyamin Fuad Ben-Eliezer em coma induzido

Conib destaca
Terça-feira, 8 de Março de 2011
Por Celia Bensadon

1. Brasil presta homenagem a opositora de Ahmadinejad


Pela primeira vez, o governo brasileiro abriu as portas de sua diplomacia à maior opositora do regime de Mahmoud Ahmadinejad, em um gesto político explícito contra as violações de direitos humanos no Irã. A missão brasileira perante a ONU ofereceu um almoço ontem, em Genebra, em homenagem à dissidente Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz, perseguida pelo regime e refugiada na Europa. O governo iraniano não escondeu a irritação e interpretou a atitude como um recado claro do Brasil de que a lua de mel entre Brasília e Teerã acabou. "Se a comunidade internacional não agir, o Irã em breve se transformará numa nova Líbia", afirmou Ebadi durante o almoço, que também contou a presença de embaixadores de países como Estados Unidos e outros que defendem uma posição mais dura contra o Irã (Por Jamil Chade, O Estado de S.Paulo).

2. Filme sobre Holocausto será exibido no Irã

"Shoah", de Claude Lanzmann - um dos principais nomes da Flip deste ano -, com testemunhos sobre campos de concentração, será exibido a partir de segunda, via satélite, no Irã. A iniciativa é da ONG Aladdin Project, que tem como objetivo promover o diálogo entre judeus e muçulmanos (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Ex-presidente moderado do Irã é destituído de cargo-chave do regime

3. Vale do Jordão é área estratégica de defesa, diz Netanyahu


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que “se foguetes inimigos chegarem ao vale do Jordão, os israelenses vão se unir para reagir”. “A linha de defesa de Israel começa aqui”, disse Netanyahu em discurso a soldados. O primeiro-ministro disse que a área é estratégica e “deve ser preservada em qualquer futuro acordo com os palestinos” (Por Barak Ravid, Haaretz). Leia mais em:
Netanyahu Vows to Keep Jordan River Posts
Netanyahu ordenó desmantelar asentamientos judíos ilegales en Cisjordania
Israel may ask U.S. for $20 billion more in security aid, Barak says

4. Gaddafi trabalha em acordo para deixar o poder e o país, diz CNN


O ditador líbio, Muammar Gaddafi, está negociando um acordo para deixar o governo após 41 anos e para isso quer que os rebeldes da oposição garantam passagem segura para fora do país e que nem ele, nem sua família, sejam processados, informa a rede de TV americana CNN. Os rebeldes de oposição, que controlam o leste do país, rechaçaram a oferta. Gaddafi teria proposto uma reunião do Parlamento líbio para acordar os termos da transição e os passos para sua renúncia. Segundo a TV Al Jazeera, os termos do ditador incluem ainda uma boa quantia em dinheiro (Folha.com). Leia mais em:
Governo nega oferta de renúncia de Gaddafi; rebeldes dão sinal de apoio
Líder de grupo rebelde dá a Gaddafi 72 horas para deixar o poder

5. EUA avaliam fornecer armas a rebeldes

À medida que se prolonga o conflito na Líbia, crescem as pressões dentro dos EUA para que o governo forneça armas para as forças rebeldes -e Washington já diz não descartar essa hipótese. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse ontem que armar os rebeldes é uma das alternativas que estão sendo estudadas. "A opção de fornecer assistência militar está na mesa porque nenhuma opção foi retirada." A declaração do porta-voz veio um dia depois de senadores (tanto democratas como republicanos) cobrarem uma ajuda maior dos EUA para as forças que lutam contra os defensores do ditador Muammar Gaddafi (Por Álvaro Fagundes e Luciana Coelho, Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Discord Fills Washington on Possible Libya Intervention
Gaddafi ataca alvos civis, e EUA reagem
Aviões líbios atingem rebeldes em Ras Lanouf; Gaddafi nega suposta saída do governo
Família sobrevive na Líbia após ser atingida em bombardeio ao fugir de carro de Ras Lanuf

6. 'Risco é arsenal acabar no mercado negro'

O conflito na Líbia está sendo alimentado não por um fluxo corrente de armas, mas pelo arsenal reunido por décadas por Muammar Gaddafi, que usou o mercado negro para burlar sanções. Para a cientista política Audra Grant, especialista em norte da África no grupo de análise de segurança Rand, o risco maior é que esse arsenal, após o conflito, abasteça outros grupos mundo afora (Folha de S.Paulo).

7. Crise produzirá 400 mil refugiados, prevê ONU


A ONU estimou ontem que mais de 200 mil refugiados já deixaram a Líbia desde o início dos confrontos, mas o número total de pessoas que fugirão do país por causa da violência deverá alcançar 400 mil. Além dos refugiados, outras 600 mil pessoas dentro do território líbio precisam de auxílio internacional, afirmou Valerie Amos, secretária-geral adjunta da ONU para Assuntos Humanitários. Antonio Guterres, chefe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), afirmou que serão necessários US$ 160 milhões para atender aos refugiados e aos civis vulneráveis dentro da Líbia - um milhão de pessoas, segundo os cálculos das Nações Unidas. Guterres fez um apelo à "solidariedade internacional" para que a ajuda milionária chegue a tempo (Efe).

8. Corte rejeita apelação de Mubarak contra congelamento de bens


Uma corte do Egito ratificou nesta terça-feira o congelamento dos bens do ex-ditador Hosni Mubarak e de sua família e confirmou que eles não têm permissão para deixar o país. Segundo a agência oficial de notícias Mena, a decisão foi anunciada durante a primeira audiência judicial para analisar o caso no Tribunal de Apelações do Cairo. O pedido de congelamento dos bens, que podem chegar a bilhões de dólares, foi feito no último dia 28 de fevereiro pelo procurador-geral egípcio, Abdel Maguid Mahmoud, tendo em vista as denúncias sobre a "inflação" das riquezas de Mubarak e de sua família mediante meios ilegítimos (Folha.com). Leia mais em:
Mubarak foi alvo de 4 tentativas de assassinato, diz jornal

9. “Elogio a Moacyr Scliar”

Soube da morte de Moacyr Scliar quando lia Moacyr Scliar. Haverá coisa mais irônica? Talvez não. Nem mais apropriada à leitura em causa: a editora portuguesa Cotovia resolveu publicar alguns livros fundamentais sobre o judaísmo. E um deles é "Judaísmo - Dispersão e Unidade", uma interpretação pessoal de Scliar sobre a matéria, originalmente lançada no Brasil em 2001. O livro de Moacyr Scliar é uma introdução brilhante para a história do judaísmo: cruzando fontes bíblicas com documentos históricos, sem esquecer a tradição oral e o sr. Woody Allen. Será possível pensar na vitalidade cultural e científica de Nova York ou de São Paulo sem a impressão digital judaica? Sei do que falo: a perseguição e a expulsão dos judeus da península Ibérica no século 16 foi uma contribuição determinante para o atraso econômico e mental de Portugal e Espanha. Minha derradeira esperança é poder continuar a conversa lá em cima (com Scliar), quando minha hora chegar. Só espero que, nas portas do paraíso, Scliar possa dizer a mim o que ele esperava que Deus lhe dissesse: "Já não era sem tempo" (Por João Pereira Coutinho, Folha de S.Paulo).

10. “Visita de Obama e visão de futuro”


A importância e os resultados da primeira visita do presidente Barack Obama ao Brasil têm merecido pertinentes análises, pelas novas possibilidades de cooperação e de entendimento em áreas mantidas em segundo plano durante os últimos oito anos. Às vésperas da chegada do mandatário americano, parece-me útil analisar a mensagem de Obama e nela destacar exemplos de políticas voltadas para o futuro e chamar a atenção para a semelhança da agenda norte-americana com a nossa. Com grande dose de realismo, Obama deixou registrado que o mundo mudou e que, para enfrentar os desafios do crescimento da economia e da geração de emprego, os Estados Unidos precisam contar mais com seus próprios recursos e se reinventar em quatro áreas: inovação para aumentar a competitividade; educação; energia e infraestrutura; e redução dos déficits públicos, inclusive pelo enxugamento da máquina governamental. A visita do presidente Obama criará condições para o desenvolvimento de uma nova agenda positiva entre os dois países. Seria importante, para os próximos quatro anos, que o exemplo de determinação e ousadia do governo Obama sirva de inspiração para que, também no Brasil, políticas e objetivos sejam claramente definidos e executados, tendo como único objetivo o interesse nacional. Caso não nos consigamos reinventar, o custo político será alto e o futuro do País estará comprometido (Por Rubens Barbosa – é presidente do Conselho de Comércio exterior da FIESP -, em artigo em O Estado de S.Paulo).

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Conib destaca
Segunda-feira, 7 de Março de 2011
Por Celia Bensadon

1. “O diálogo Brasil-EUA”

De acordo com dados apresentados pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), Brasil e Estados Unidos possuem, hoje, extensa rede de diálogo, composta por 24 mecanismos bilaterais. O expressivo número demonstra a amplitude das relações entre os dois países e sua existência deve ser vista como patrimônio institucional relevante e importante evolução na relação bilateral. A moderna rede de mecanismos de diálogo, criada no governo FHC e ampliada e consolidada no início do governo Lula, cumpre três funções. Primeiro, permite a troca de informações entre os dois governos no que diz respeito a políticas públicas - inclusive política externa. Segundo, cria a possibilidade de coordenação de iniciativas entre Brasil e EUA, seja em temas de política doméstica, seja em áreas e fóruns de política internacional. Terceiro, resulta no estabelecimento de contatos entre as diversas burocracias dos dois países, ampliando a confiança entre tomadores de decisão e promovendo a resolução de disputas e tensões (Por Diego Z. Bonomo - é diretor-executivo da Brazil Industries Coalition (BIC), entidade de representação de empresas e associações empresariais brasileiras em Washington, nos Estados Unidos -, em artigo na Folha de S.Paulo). Leia mais em:
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2. Para Patriota, democracia e ações contra pobreza explicam popularidade


O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, diz que a melhora na avaliação sobre a influência do Brasil no mundo, verificada em pesquisa da BBC divulgada nesta segunda-feira, se deve ao modo com que o país se relaciona com as outras nações e à aprovação ao modelo de desenvolvimento brasileiro.  "Acho que podemos atribuir isso [a melhora na avaliação] a um modelo no Brasil que associa democracia com crescimento inclusivo, geração de emprego e também uma forma de interagir com o resto do mundo que é baseada em soluções diplomáticas para problemas, cooperação para reduzir a fome e a pobreza e cooperação para criar mais mecanismos democráticos para lidar com questões globais", disse Patriota (BBC Brasil). Leia mais em:
Tania Patriota mantém união peculiar com o chanceler brasileiro

3. “Saldo favorável”

A posição da presidenta Dilma Rousseff em relação ao Irã e às ditaduras que pisoteiam os direitos humanos está bem distante da ambigüidade do governo anterior. A consciência da necessidade do contraditório, de pesos e contrapesos que garantam o equilíbrio da convivência democrática, ficou muito clara no discurso da presidenta por ocasião da celebração dos 90 anos da Folha de S.Paulo. Igualmente a noção do papel insubstituível da imprensa livre e independente como garantia de transparência. O discurso de Dilma foi um bom começo (Por Carlos Alberto Di Franco – é diretor do Máster em Jornalismo -, em artigo em O Globo).

4. Grã-Bretanha elevará categoria da delegação palestina à missão diplomática


A Grã-Bretanha elevará à missão diplomática a categoria da delegação palestina em Londres, seguindo o exemplo de outros países da União Europeia (UE), segundo anunciou nesta o ministro das Relações Exteriores, William Hague. "Vamos nos somar a muitos outros países e elevar o status da delegação palestina em Londres à categoria de missão", declarou Hague em uma audiência na Câmara dos Comuns. Nos últimos meses, outros países da UE como Espanha, França, Portugal e, mais recentemente, Irlanda tomaram a mesma decisão (AFP).

5. Governo de Barack Obama enfrenta dilema da intervenção no caso líbio

Para Barack Obama, a matança na Líbia impôs um dilema que mais cedo ou mais tarde confronta todo presidente americano moderno: se, e como, intervir com força militar num conflito distante. Desta vez, a escolha é dificultada por questões históricas, geográficas e pelas circunstâncias peculiares do levante líbio: um líder imprevisível e implacável disposto a tudo para ficar no poder, em um conflito que parece tanto uma guerra civil africana quanto uma revolta jovem alimentada pela internet, como as que derrubaram os ditadores do Egito e da Tunísia.
Apesar de serem questões difíceis, o presidente está percorrendo um caminho conhecido e que afligiu antecessores como Ronald Reagan (Líbano), George H. W. Bush (Iraque e Somália), Bill Clinton (Bósnia e Kosovo) e George W. Bush (Darfur) (Por Mark Landler, The New York Times, em artigo na Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Assessores de Gaddafi deverão responder por violência, diz Obama
EUA estudam opções militares para Líbia, diz jornal
Gaddafi alerta Europa que Líbia é crucial para segurança

6. Otan ameaça intervir se Gaddafi não acabar com violência


A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aumentou nesta segunda-feira a pressão internacional sobre o ditador líbio, Muammar Gaddafi. O secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, exigiu uma transição rumo à democracia e advertiu que pode haver reação militar se Gaddafi continuar usando a força para conter a revolta popular. "Se Gaddafi e suas forças militares continuarem atacando sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique somente olhando", disse Rasmussen, acrescentando: "Muita gente pelo mundo se verá tentada a dizer: "façamos algo para deter este massacre" (Folha.com). Leia mais em:
ONU pede US$ 160 milhões para vítimas do conflito na Líbia

7. “Um equivocado foco de US$ 110 bilhões”

EUA gastam US$ 110 bi com regimes tão corruptos quanto os governos cuja derrubada hoje aplaudem. Desde o 11 de Setembro, o Ocidente vem esperando por uma guerra de idéias no mundo muçulmano que apresente um desafio interno à violenta ideologia radical islâmica de Osama Bin Laden e da AL-Qaeda. Essa disputa, porém, nunca se materializou porque os regimes que esperávamos promover vêem o extremismo islâmico de forma conveniente (Por Thomas Friedman, The New York Times, em artigo em O Globo). Leia mais em:
The $110 Billion Question

8. Líbia pagou consultoria para polir imagem


Uma consultoria norte-americana com sede em Cambridge, Massachusetts, confirmou ter sido paga por mais de quatro anos pelo regime de Muammar Gaddafi para ajudá-lo a polir a imagem do país -- e a sua própria -- perante o mundo, informa reportagem de Luciana Coelho, da Folha. O trabalho do Monitor Group foi intenso entre 2006 e 2008, quando acadêmicos prestigiados como Joseph Nye (da Universidade Harvard) e Anthony Giddens (da London School of Economics), entre outros, foram enviados para reuniões com o ditador, diz o grupo (Folha.com). Leia mais em:
''Os líbios chegaram à luta armada por causa da prepotência de Gaddafi''

9. Líbia mergulha na guerra de informação

Um dia de emboscadas perpetradas por ambos os lados e, portanto, sem grandes avanços, viu os esforços migrarem para o campo de batalha da informação. Porta-vozes do governo líbio e dos rebeldes cantaram vitória, clamaram progressos, tentaram mostrar para a imprensa que estão próximos do triunfo final. Depois de avançarem nos últimos dias, fechando o cerco sobre o ditador Muammar Gaddafi, forças rebeldes líbias sofreram importante -e simbólico- revés. O plano era tomar Sirte, cidade de Gaddafi e um dos últimos focos de apoio do regime. Seria emblemático. Plano que foi interrompido a 200 km do alvo: em Bin Jawad, os rebeldes se depararam com uma emboscada. Repelidos por artilharia, bateram em retirada (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Dois portos são fechados na Líbia; 1 milhão de pessoas precisa de ajuda

10. “Literatura feita de vida e amor”


Moacyr Scliar era daquelas pessoas sem reposição. Nunca mais haverá ninguém como ele, tão solícito com os amigos, tão discreto e elegante diante de uma confidência, tão generoso ao dar um bom conselho. Ele era, como muitos vêm lembrando, nosso Príncipe das Letras, caracterizava-se pela nobreza e solicitude no trato com as pessoas. Ele e Judith, a esposa que, em geral, o acompanhava em suas viagens, conseguiam tornar qualquer conversa agradável, passar alguns momentos com eles era um privilégio. A cultura judaica, matéria de muitos de seus livros, para ele, era marcada por contradições, como revela seu interessante ensaio, O Enigma da Culpa, em que desfia muitas histórias de sua juventude (Por Guiomar de Grammont, O Estado de S.Paulo).

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Conib destaca
Domingo, 6 de Março de 2011
Por Celia Bensadon

1. “O Brasil e os direitos humanos”


Na última segunda-feira, na sessão inaugural da 16.ª reunião ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, reunido no Palais des Nations, sede do organismo internacional em Genebra, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, fez uma clara tentativa de reverter os efeitos negativos do apoio dado pelo governo Lula a regimes autocráticos que violam os direitos humanos. Enfatizou a ministra que o Brasil defende a discussão de violações de direitos humanos "em todos os países" em que elas forem denunciadas. No mesmo dia, também na Suíça, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, em entrevista ao Estado, declarou que seu país ficará "muito decepcionado" se o Brasil mudar seu voto em resoluções da ONU que condenam o regime de Teerã e fez um apelo para que isso não ocorra. Na verdade, o governo Dilma já mudou a posição do Brasil em relação à violação de direitos humanos mundo afora, a começar pelo Irã. De qualquer modo, nas próximas semanas o Brasil terá outra oportunidade concreta de passar do discurso à ação, dirimindo de vez as dúvidas que ainda persistam na comunidade diplomática internacional, de modo especial em Washington, a respeito da posição do novo governo de Brasília nessa matéria. De toda maneira, uma posição já ficou clara essa semana, quando a ONU excluiu a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, como represália à violenta repressão do regime de Muamar Gaddafi a seus opositores. Até o fim do mês o Conselho de Segurança deverá votar sobre pedido de investigação da situação dos direitos humanos no Irã (O Estado de S.Paulo – Opinião). Leia mais em:
Dilma revê política externa de Lula

2. “Palestinos usam o sentimento anti-Israel para impedir a paz no Oriente Médio, diz Netanyahu


Dias depois de anunciar nova proposta de acordo com os palestinos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou a Autoridade Palestina de estar se aproveitando do sentimento anti-Israel para dificultar a paz no Oriente Médio. Netanyahu reagiu dessa forma à recusa dos palestinos em aceitar a sua proposta de criação de um Estado palestino com fronteiras provisórias, como forma de avançar no processo de negociações que está parado há meses (Por Barak Ravid, Haaretz). Leia mais em:
Abbas: Palestinian state must become permanent member of UN

3. Gaddafi lança seu maior contra-ataque

Forças leais ao ditador Muammar Gaddafi empreenderam ontem o maior contra-ataque a uma cidade tomada por rebeldes desde o início dos conflitos na Líbia.
Relatos falam em "massacre" em Zawiyah, a 50 quilômetros de Trípoli. As estimativas sobre mortos são erráticas: de 70 a 200. Rebeldes ainda foram atacados em Ras Lanuf, polo petrolífero. Nos dois casos, Gaddafi perdeu. O próximo objetivo dos opositores é conquistar Sirte, berço do ditador (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Milhares de pessoas vão invadir a Europa a partir da Líbia, diz Gaddafi

4. Gaddafi diz aceitar missão da ONU ou da União Africana na Líbia


O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, declarou, em uma entrevista publicada na edição de domingo do jornal francês Le Journal du Dimanche, que aceitaria o envio de uma comissão investigadora da ONU (Organização das Nações Unidas) ou da União Africana para avaliar a situação de seu país, palco há 19 dias de revoltas que pedem o fim de seu regime. "Para começar, quero que uma equipe de investigadores das Nações Unidas ou da União Africana venha aqui na Líbia", afirmou o mandatário, há 42 anos no poder. "Vamos permitir que essa comissão veja o que se passa no terreno, sem nenhum obstáculo” (Folha.com). Leia mais em:
“O acadêmico e o tirano”
“Área de dispersão”

5. “Fim das ditaduras?”

O congelamento e confisco das contas bancárias, o julgamento pelo Tribunal Penal Internacional e a aplicação do dever da comunidade mundial de proteger os povos contra crimes dos seus próprios governos são três armas poderosas que poderiam converter as ditaduras numa espécie em gradual extinção. Na primeira das rebeliões árabes, a da Tunísia, a surpresa geral fez com que se demorasse semanas antes de adotar o congelamento da fortuna no exterior do ditador. No caso seguinte, o do Egito, agiu-se mais rápido, anunciando-se a medida horas depois do afastamento de Mubarak. Na Líbia, a brutalidade da repressão e o ritmo de câmera lenta em que se desenrola o drama facilitaram a adoção quase imediata de sanções financeiras contra o tirano e seus parentes, de início pela Suíça, seguida por outros países. Tudo isso é novo e digno de destaque. No passado recente, esse tipo de medida era raramente aplicado, embora fosse previsto pelas leis internacionais (Por Rubens Ricupero, Folha de S.Paulo).

6. Analistas temem que mísseis caiam nas mãos de terroristas

Analistas de segurança afirmam que o levante armado na Líbia acarreta uma ameaça de segurança em prazo mais longo: a de que mísseis antiaéreos -capazes de abater jatos de passageiros-, saqueados dos arsenais do governo, caiam nas mãos de terroristas. Fotografias e vídeos do levante mostram civis carregando o SA-7, um míssil antiaéreo portátil, semelhante ao conhecido Stinger. Exemplos passados de arsenais estatais saqueados por civis em Uganda (1979), Albânia (1997) e Iraque (2003) mostram que quando essas armas escapam ao controle de um Estado, podem ser vendidas no mercado negro rápida e discretamente (Por C. J. Chivers, The New York Times, em artigo na Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Blindados usados pela Líbia são fornecidos pelo Brasil
“Negociantes de armas”

7. “A vítima oculta das guerras”

O atual clima de violência no Oriente Médio, motivo de preocupação mundial, serve de alerta para enxergar uma "crise oculta", que pouco chama a atenção da comunidade internacional e que muito contribui para reforçar a pobreza e impedir o progresso das nações. A educação está sofrendo efeitos devastadores em zonas de conflito armado, especialmente nos países mais pobres, mas tal impacto vem sendo negligenciado. O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos (EPT) 2011 da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lançado durante a semana, revela a escala dessa grave crise, denunciando que 42% das crianças em idade escolar primária do mundo que não estão matriculadas em escolas vivem em países pobres afetados por conflitos. São 28 milhões de crianças impedidas de frequentar aulas. Os conflitos armados têm efeito tão perverso sobre os sistemas educacionais que são considerados atualmente o maior obstáculo para o cumprimento, até 2015, dos objetivos de EPT, com os quais 160 países, entre eles o Brasil, se comprometeram em 2000, em Dacar (Por Vincent Defourny – é doutor em comunicação, representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil -, em artigo na Folha de S.Paulo).

8. “Economia por si só não explica rebeliões”

Tunísia e Egito estão entre os 14 de 135 países em que os indicadores sociais mais evoluíram, na média, nos últimos 40 anos, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010. A economia da Tunísia cresceu cerca de 4,7% de 2005 a 2009; o Egito, 6% (o Brasil, 3,6%). Egito e Tunísia foram focos de revoltas contra governos autoritários no Norte da África e no Oriente Médio. Se desempenho econômico e situação social motivaram o tumulto, seus indicadores mais evidentes não parecem ligar causa a efeito, porém. Ainda assim, algumas características socioeconômicos desses países poderiam explicar por que observadores da revolta egípcia ou tunisiana atribuem a revolta ao protesto de jovens sem trabalho ou à carestia da comida (Por Vinicius Torres Freira, Folha de S.Paulo).

9. ''Os árabes querem sua liberdade''


Um dos arquitetos da Guerra do Iraque, Paul Wolfowitz, atualmente no centro de pesquisa American Enterprise Institute, não disfarça o leve sabor de vingança que sente ao comentar a onda de protestos por democracia no mundo árabe. Subsecretário de Defesa no governo George W. Bush - que tentou impor à força a democracia no Oriente Médio -, ele argumenta que as manifestações no Egito, Tunísia, Iêmen e mesmo na Líbia deixam claro que os EUA perderam muito tempo trocando a "liberdade pela estabilidade das ditaduras". "Os árabes querem liberdade", disse Wolfowitz, formado em matemática, com doutorado em ciência política e uma passagem pela direção do Banco Mundial. Em entrevista ao Estado, Wolfowitz diz que é possível haver democracia no mundo árabe. “Um dos problemas é que, depois da queda do xá no Irã, que era um aliado, e a sucessiva entrada de um regime hostil aos EUA, passamos a temer regimes radicais islâmicos no Oriente Médio”. “Trocamos a liberdade pela estabilidade das ditaduras. Mas precisamos fazer algumas perguntas sobre o quão preparadas estão as instituições políticas nesses países (Por Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo). Leia mais em:
Europa se divide sobre intervenção militar na Líbia
“Confraria dos autocratas”
Jovens das bandas de rock e rap foram os precursores da revolução que hoje balança o mundo árabe

10. Revoltas árabes ecoam 1789, diz historiador

Historiador da Revolução Francesa, Robert Darnton anda emocionado com as imagens e informações que chegam do Oriente Médio. "É o tipo de coisa que faz o seu peito apertar, traz lágrimas aos olhos." O professor de Harvard vê neste 2011 ecos de 1789 e outros períodos revolucionários -na rebelião contra a tirania e na reafirmação do que chama de "possibilismo", espécie de explosão utópica que faz populações acreditarem que são capazes de mudar regimes que antes pareciam inamovíveis. Darnton adverte porém que é cedo para chamar os eventos atuais de revoluções. "Vamos demorar a saber se haverá uma mudança fundamental", diz (Por Claudia Antunes, Folha de S.Paulo).

11. “Sem pai e sem resposta”

Opositor ao regime de Muammar Gaddafi, Jaballa Matar está desaparecido há 21 anos , após ser sequestrado de sua própria casa; seu filho Hisham Matar, escritor, leva para sua obra o peso dessa ausência. Hisham Matar é um líbio que tem uma razão especial para torcer por uma queda rápida do ditador Muammar Gaddafi: poder voltar ao país para descobrir se seu pai continua vivo. Em entrevista à Folha, concedida em Londres, onde mora, ele diz: "Assim que a Líbia se tornar um país livre, corro para lá para resolver essa questão que me atormenta há 21 anos: onde está meu pai" (Por Vaguinaldo Marinheiro, Folha de S.Paulo).

12. “A má aula da London School of Economics

Qual a diferença entre a Maison Dior e a London School of Economics? Uma delas mostrou que é rápida e séria. Ambas são casas de grife. Uma ensina os povos a se vestir. A outra ensina as nações a gerir suas economias. Depois da Segunda Guerra, Dior mandou as mulheres vestirem saias longas, rodadas, e assim elas fizeram, da duquesa de Windsor a Evita Perón. Com 16 prêmios Nobel no currículo, a London School of Economics era a casa de Friedrich Hayek quando ele escreveu "O Caminho da Servidão" ensinando que o planejamento central da economia levava os países à ditadura e à ruína. Os ditadores de todo o mundo sabem que universidades ilustres e empresários endinheirados gostam de polir celebridades. O filho de Gaddafi só se tornou um quindim azedo para a London School of Economics porque ela aceitou seu dinheiro na época errada. Seus doutores precisam de uma consultoria da Maison Dior (Por Elio Gaspari, Folha de S.Paulo).

13. A medicina na cultura judaica

Conhecido por sua destacada produção literária, o médico gaúcho Moacyr Scliar, falecido domingo passado, dia 27, deixa também a sua contribuição na área médica. Da mesma forma que na literatura ele aborda temas relacionados à sua origem, em sua tese de doutorado, aprovada na Escola Nacional de Saúde Pública, mostra a visão da saúde, da doença e da medicina dentro da cultura judaica. Destaca Scliar que o conceito de raça não se aplica aos judeus. Suas características variam, como a cor da pele, exemplifica. Ela vai do branco europeu até o negro dos judeus "falashas" provenientes da Etiópia. Além de relacionar a influência da formação judaica em Sigmund Freud, entre vários outros médicos judeus, Scliar também analisa as várias interpretações para a proibição de consumir alguns alimentos (Por Julio Abramczyk, Folha de S.Paulo).

Leia mais em:

Violence in Libya sows fears of long civil war; gunfire erupts in Tripoli

Business Side of Egypt’s Army Blurs Lines of Aid From U.S.

In Libya, Both Sides Gird for Long War as Civilian Toll Mounts

Hamas head: 'Egypt, Tunisia revolts gave us our lives back'

Conib destaca
Sábado, 5 de Março de 2011
Por Celia Bensadon

1. Itamaraty desativa sua embaixada na Líbia

O aumento da violência levou o Itamaraty a retirar os dois funcionários brasileiros que trabalhavam na embaixada na Líbia. O único a ficar foi o embaixador George Ney de Souza Fernandes, que não tem previsão de volta. Sem funcionários, a representação do Brasil na Líbia foi desativada na prática, apesar da presença do embaixador. O Itamaraty tem tido dificuldade de contato com ele. Durante toda a tarde de ontem, as comunicações foram feitas apenas por fax. O ministério disse que o embaixador ficaria, pelo menos, até garantir que todos os brasileiros deixem a Líbia. Mas não foi decidido ainda se ele permanece ou volta ao Brasil depois disso (Folha de S.Paulo).

2. Líbia autoriza Venezuela a mediar conflito, diz chanceler Maduro

O governo da Líbia aceitou mediação da Venezuela para a criação de uma missão de paz que negocie uma saída para a crise no país norte-africano. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, leu uma carta recebida de seu colega líbio, Mousa Kousa, em reunião ontem em Caracas. Nela, o regime do ditador Muammar Gaddafi pede ao governo de Hugo Chávez que tome as medidas necessárias para criar uma comissão internacional que atue no país. "Estão autorizados a tomar todas as medidas necessárias para selecionar os integrantes e coordenar sua participação nesse diálogo", leu Maduro em meio a uma reunião da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Vice-chanceler da Líbia diz que governo aceita plano de Chávez
Apesar da intensa pressão para que abandone o poder, Gaddafi ainda conta com alguns aliados
Grã-Bretanha enviará diplomatas à Líbia; se necessário, tropas

3. “O caso líbio e a América Latina”


O bom desempenho, até aqui, das instituições multilaterais ao lidar com a situação da Líbia enseja a esperança de que as grandes crises mundiais passem a ser objeto de ações concertadas da comunidade internacional, com mais responsabilidade compartilhada e menos ideologia. De qualquer forma, o encaminhamento da questão líbia demonstra progressos, na medida em que as principais decisões têm sido tomadas, por unanimidade, no Conselho de Segurança e no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Este, em decisão inédita, expulsou um de seus membros — a Líbia. E o Tribunal Penal Internacional pela primeira vez decidiu investigar crimes contra a humanidade enquanto estão sendo cometidos — na Líbia. Simultaneamente, o Brasil executa, a julgar pelas ações iniciais do governo Dilma Rousseff, uma bem-vinda correção de rumo em sua política externa, que se afasta da excessiva ideologização da Era Lula e se reaproxima de suas boas tradições de profissionalismo e pragmatismo. O reforço do multilateralismo e a redução do componente ideológico da política externa do Brasil ocorrem em boa hora. E podem ter reflexos positivos na América Latina (O Globo – Opinião).

4. “Presidente Obama, vá a Jerusalém”


Vá a Jerusalém, sr. presidente. Em Israel a ansiedade é grande. Israel preferia a antiga ordem do Oriente Médio, quando podia contar com os déspotas, como Hosni Mubarak, para acabar com os jihadistas, rejeitar o Irã, e continuar com o jogo palestino-israelense segundo as normas que criaram uma temporariedade permanente até mais favorável ao poder em Israel. Agora, os israelenses estão duplamente preocupados. Eles indagam, sr. presidente, se é sincero o seu carinho por eles. O senhor esteve no Cairo, em Istambul, por que não em Jerusalém? Por que o senhor não vem lamentar com a gente, presidente Barack Obama, e sentir nosso sofrimento? (Por Roger Cohen, do The New York Times, em artigo em O Estado de S.Paulo).

5. Conflitos se alastram por várias partes do país

Rebeldes e forças leais ao ditador líbio Muammar Gaddafi travaram ontem violentos confrontos em Trípoli e mais duas localidades, com saldo de ao menos 50 mortos, indicando uma escalada na disputa pelo controle das principais cidades no país.
Na capital, forças de segurança dispersaram com violência os manifestantes opositores que se juntaram ao final das orações das sextas para pedir a saída do líder (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Rebeldes e tropas pró-Kadafi se enfrentam a 50 km de Trípoli

6. Sob ataque, rebeldes avançam rumo à cidade natal de Gaddafi


Os dois lados da guerra pelo controle da Líbia avançaram neste sábado. As forças leais ao ditador Muammar Gaddafi lançaram uma poderosa ofensiva, com ataques brutais a cidade de Zawiya, controlada pelos rebeldes e a apenas 50 km da capital Trípoli. O exército rebelde, que já controla o leste, venceu as forças rivais e consolidou seu controle sobre o porto petrolífero de Ras Lanuf, e avança agora rumo a Sirte, cidade natal de Gaddafi. A rota das batalhas na Líbia, às vezes difícil de se identificar, indica que os próximos confrontos podem ocorrer no porto de Surt, reduto da tribo nativa de Gaddafi e no caminho da marcha rebelde rumo à capital Trípoli, bastião do atual regime (Folha.com). Leia mais em:
Atiradores que Gaddafi formou se voltam contra ele

7. “O dilema de Sofia na Líbia”

Muammar Gaddafi, ao contrário de Hosni Mubarak e Ben Ali, resolveu ficar e lutar, deixando a comunidade internacional sem alternativas realmente atraentes para reagir. As opções disponíveis só não são zero porque sempre é possível torcer para que o regime se desmanche sem que o resto do mundo precise fazer mais do que condená-lo verbalmente ou impor sanções cujo efeito, se houver, será a médio ou longo prazo. Enquanto isso não acontece, enquanto o sangue continua correndo e enquanto se arma nas fronteiras uma tragédia humanitária, o dilema de Sofia para o mundo é assim descrito na revista eletrônica "Jadaliyya" (Polêmica), editada pelo Instituto de Estudos Árabes de Washington: "De um lado, a inação internacional em face das atrocidades na Líbia parece inaceitável. Do outro lado, o deplorável registro de anteriores intervenções internacionais inspira pouco entusiasmo", escrevem Asli Bali, professor de direito na Universidade da Califórnia em Los Angeles, e Ziad Abu-Rish, candidato ao doutorado no Departamento de História da universidade (Por Clovis Rossi, Folha de S.Paulo).

8. “Americanos e líbios vêm se estranhando desde 1801”

As sanções aplicadas pelos EUA à Líbia, além da ameaça do uso da força na região, fazem parte de mais um capítulo da história conturbada entre os dois países. Em 1801, os americanos, um quarto de século após conquistarem sua independência, entraram em guerra com o reino de Trípoli, hoje a capital da Líbia. "A primeira incursão militar externa da história dos EUA foi contra os piratas da Berbéria no começo do século 19", diz o sociólogo Demétrio Magnoli. O norte da África, região conhecida como Magreb, era chamado de Berbéria antes da ocupação européia (Por Bruno Toranzo, Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Gaddafi Forces Hit Besieged City but Lose Libyan Oil Port
Can You Hear Libya Now?

9. “Tem início a batalha pelos US$ 70 bilhões de fundo líbio”

Enquanto a batalha pela Líbia corre solta, a disputa em torno do controle do fundo soberano do país e seus US$ 70 bilhões em ativos acaba de começar. Com reservas consideráveis de dinheiro vivo e participações em algumas empresas europeias de elite - entre as quais a editora britânica Pearson e o clube de futebol italiano Juventus -, o fundo servia como enfático cartão de visitas de seu fundador, Saif al Islam Gaddafi, filho do ditador e visto no passado como o reformista da família. Criado em 2006, o fundo foi usado para tentar substanciar o argumento de que a Líbia estava preparada para abrir-se ao Ocidente (Por Landon Thomas Jr., The New York Times, em artigo na Folha de S.Paulo).

10. Ministro egípcio renuncia e acusa saques

O arqueólogo mais conhecido do Egito, Zahi Hawass, pediu demissão do cargo de ministro de Antiguidades e afirmou que aumentaram os saques a sítios arqueológicos do país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro.
Famoso no Ocidente por suas aparições em programas de canais como o Discovery Channel - sempre usando chapéu à moda do personagem Indiana Jones -, Hawass chegou a ganhar um prêmio Emmy por sua participação num documentário da rede CBS sobre o Egito (Folha de S.Paulo). Leia mais em:
Manifestantes tentam invadir edifício das forças de segurança no Cairo
Egito fará referendo constitucional em 19 de março

11. Navios de guerra iranianos retornam ao Mar Vermelho


Os dois navios de guerra iranianos que chegaram em 22 de fevereiro ao Mediterrâneo para uma visita a Síria, provocando a indignação de Israel, voltaram ao Mar Vermelho através do Canal de Suez, anunciou o comandante da Marinha iraniana, o almirante Habibollah Sayari. "A frota concluiu a missão com êxito no Mar Mediterrâneo e retornou ao Mar Vermelho transitando pelo Canal de Suez", declarou o almirante Sayari, citado pela agência oficial Irna. Os dois navios foram os primeiros do Irã a entrar no Mediterrâneo desde a revolução islâmica iraniana de 1979 (AFP).

12. Dilma vai receber família Obama em jantar íntimo


A presidenta Dilma Rousseff vai receber a família Obama para um jantarzinho íntimo no Palácio da Alvorada, no dia 19 de março.  A ideia é que a família de Dilma - incluindo sua filha Paula, o neto Gabriel e sua mãe, Dilma Jane - receba o presidente americano, Barack Obama, sua mulher, Michelle, e as filhas do casal, Sasha e Malia. Podem estar presentes alguns poucos ministros também, como o chanceler Antonio Patriota, mas será um evento petit comité, segundo apurou a Folha (Por Patrícia Campos Mello e Claudia Antunes, Folha de S.Paulo). Leia mais em:
"Reconhecer China não é prioridade", diz chanceler brasileiro

13. Câmara expõe desenhos de crianças sobre Holocausto


A Câmara dos Deputados promove até o dia 30 de março a exposição 'Lembranças do Holocausto - Desenhos das Crianças de Terezín'. A mostra é composta por desenhos e poemas feitos por crianças que viveram em campo de concentração nazista na República Tcheca. Os desenhos e os poemas foram feitos, em sua maioria, por meninas com idade entre 10 e 15 anos. A exposição é gratuita e está aberta à visitação de segunda a sexta-feira, na galeria do 10º andar do Anexo 4, das 9h às 18h (Agência Brasil).

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