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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A piscina e a arrogância humana

A piscina e arrogância humana
(artigo publicado no Diário Catarinense, dia 06 de dezembro de 2014. O link encontra-se no final)


No verão, nada melhor que um banho de mar ou um mergulho na piscina. Há piscinas para todos os gostos: de lona, pré-fabricadas, feitas sob encomenda, grandes e pequenas. Cada um faz uma piscina como quer, certo? Ou poderemos interferir no gosto do nosso vizinho?
Viver em sociedade não é tarefa fácil: a discussão entre o que é público e privado é grande, em tempos de Internet e selfies ­– a repercussão do que você faz afeta o mundo e a liberdade tem limites: o problema é descobrir quais são eles.

O direito de ir e vir não permite ultrapassar um sinal fechado. Estar dentro de casa, espaço privado, não lhe dá o direito de espancar uma criança ou violentar um bebê.
Tem alguém o direito de colocar uma suástica no fundo de uma piscina, que pode ser vista por quem sobrevoa o espaço aéreo?
Para além da liberdade e do gosto pessoal, é interessante notar que a suástica está no fundo da piscina: nada mais apropriado. A suástica é um símbolo do nazismo – mesmo que suas origens remontem a outros períodos. É um símbolo, assim como a cruz é do cristianismo, a estrela de David é do judaísmo, a Lua crescente com estrela é do islamismo, o yin-yang do taoísmo e assim por diante. As origens não interessam: o fato é que tais imagens remetem, imediatamente, a algo e a suástica está ligada ao nazismo.

O proprietário da casa fez bem em afundar o nazismo, que também afundou a humanidade em uma guerra cruel, que dividiu o mundo e cujos efeitos sentimos até hoje. Os nazistas foram responsáveis por um programa sistemático para exterminar ciganos, negros, homossexuais, portadores de deficiências, doentes e quem pensasse diferente do partido názi. O programa defendia o total extermínio de um povo: foram assassinados mais de seis milhões de judeus no período do nazismo, além das humilhações e das torturas sofridas, com requintes de crueldade – experiências com crianças, mães grávidas, gêmeos.
O nazismo foi uma praga que se espalhou pelo mundo e representa a arrogância humana: coloca-se no direito de decidir quem deve viver e quem deve morrer, define padrões de beleza e acredita que o ariano tudo pode. Não pode.

A mesma arrogância que levou o Titanic a naufragar também pôs o nazismo no fundo de uma piscina. Ciganos, negros, homossexuais, judeus, deficientes e a pluralidade sobreviveram. Os nazistas foram derrotados. Que todos, neste período de final de ano e de luzes, se unam para um mundo mais justo e melhor e que o nazismo jamais volte a vir à tona.

Ethel Scliar Cabral é mestre e doutoranda pela UFSC, conselheira no
Compir, Conselho Municipal de Promoção  da Igualdade Racial; e na 
AIC, Associação Israelita Catarinense.

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